domingo, 8 de dezembro de 2013

Valeu! Foi bom, adeus!

2.311 dias, 76 meses, 6 anos. Não importa a unidade de medida, é tempo para caramba! Muita coisa aconteceu neste tempo, enquanto este blog ficou às moscas. Porém, para os que ficaram felizes de ver um novo post, saibam que não é um texto de retomada, mas sim de despedida. Assim como Bel Marques se despediu do Chiclete com Banana, é aqui que deixo a caneta cair...
Quando você passa a não se reconhecer nos seus textos, se sente um personagem coadjuvante na vida do autor, vê que seus textos atuais não se encaixam no perfil editorial do blog; está na hora de jogar uma pá de cal.
Sim, existem textos atuais! Porém sem histórias cotidianas, que são retratadas de maneira caricatural; mas com muitas reflexões, provocações e declarações, daquelas que Nietzsche, Freud ou Jacques Lacan poderiam analisar por toda a eternidade e não chegariam a um diagnóstico do que se passa nesta mente cheia de frases confusas e palavras desconexas.
Diferente do “tempo de validade” que permeava todos os textos aqui já escritos, encontrei algo que não quero que acabe e é por isso que não pertenço mais a este universo que construí. E este post? Não, não tem data de validade... Valeu! Foi bom, adeus!

domingo, 12 de agosto de 2007

Efeito borboleta de sessão da tarde

É impossível não ficar com a pulga atrás da orelha ao assistir um filme onde os personagens têm a opção de voltar ao passado e alterar pequenos fatos. Você passa a pensar que pequenas ações podem causar efeitos torrenciais no futuro, e como seria sua vida se você tivesse tomado outra decisão alhures.
Uma das coisas que este que vos escreve se arrepende de não ter feito é que quando “pequeno” não assistiu “De volta para o futuro” com os olhos de hoje.
Há alguns anos, fiquei embasbacado ao assistir “Efeito Borboleta”, tentei me inteirar sobre a teoria do caos e fiquei pensando em decisões que tinham moldado o destino. Agora, depois de 6 horas seguidas assistindo “De volta para o futuro”, notei que poderia ter tido esse período reflexivo ainda mais jovem.
Quando era mais novo eu sempre quis ter um Nike McFly que amarrasse sozinho os cordões do tênis, e é imensurável o quanto almejava ter um skate voador, mesmo sem saber andar no com rodinhas.
Assistindo o filme agora em 2007, faltam apenas 8 anos para chegarmos no futuro distante da história e ainda não estamos nem perto de ter a parafernália que tanto quis quando pequeno, mas finalmente entendo o discurso sobre o “corrum temporal” que o Dr. Brown tanto dizia, e além de divertido, o filme pode até gerar boas reflexões, ou no mínimo um texto meia boca, para um blog sem atualizações.
Só voltando para o passado, nas prateleiras de filmes, para achar um filme com um tema sério retratado de uma maneira tão genial e divertida. Criticas a parte, a abordagem sessão da tarde funciona magistralmente bem nesse filme.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Saudade minha, que não é a sua

No dicionário o verbo esquecer é definido como: “perder a lembrança de alguém ou de alguma coisa”. Pareceria simples, se perder uma lembrança fosse fácil como perder uma moeda, ou até mesmo um óculos.
Saudade é outra palavra que rotular torna-a mais simples e encarável. Podemos defini-la ainda de duas maneiras teoricamente racionais, com intuito de diminuir seu impacto emocional. Podemos dizer de maneira polida e sofisticada que é a “lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir”. Ou simplificar o já não tão simples, definindo-a como “Nostalgia”.
Se você não consegue perder a lembrança triste e suave da pessoa distante, a ausência de esquecimento acarretará em uma overdose de saudade. Saudade essa que será a sua, não a da pessoa distante. Minha? Não dela? Mas ambos estamos distantes, ou não?
Não! Ela está à milhas de distância para você. Já você... No entanto, todavia, contudo, porém, está a milímetros dela! Milímetros? Sim! Você não saí do calcanhar da pessoa...
Sua saudade sufoca a da pessoa alheia, o que impede que ela sinta tal emoção. Isso acaba tornando-se um ciclo vicioso! Quanto mais você a procura, menos ela quererá que você apareça, pois estará impregnada de sua “presença”. Chico Amaral e Samuel Rosa já exploraram até em música este impacto causado pela saudade unilateral como vemos em “Sinto sua falta, Não posso esperar tanto tempo assim”, e ao mesmo tempo tinham total ciência de que estavam à mercê do outro, como é dito em seguida em “Me sinto só, me sinto só, eu me sinto tão seu...”
Pode ser injusto, mas a saudade minha não é a sua...

terça-feira, 24 de julho de 2007

A outra e ela

- Você gosta dela?
- Gosto! Claro...
- E da outra não?
- Não... Não...
- E é por isso que você a evita e prefere a outra?
- Não a outra, eu gosto dela! Não sei, talvez eu não goste da outra por me dar atenção até demais.
- E você prefere ela que não te da atenção?
- Não que eu prefira ela que não me da atenção, é que sou eu quem dou atenção demais a ela!
- E não à outra?
- Não, à outra não!
- E porque você só dá atenção a ela, se quem te dá atenção é a outra?
- Por que a gente só dá valor pro que é difícil, não é legal quando as coisas são fáceis.
- E será que ela não pensa assim?
- A outra talvez sim, ela não sei... Será que é por isso que ela me evita?
- Talvez, mas você gosta dela?
- Gosto! Claro...
- E da outra não?
- Não... Da outra não...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

E daqui dez anos?

- Como você se vê daqui dois anos?
- Dividindo um kit-net apertado com um amigo...
- Você é burro ou pensa baixo?
- Eu sou feliz e investidor...
- Hum... desenvolva sua perspectiva...
- Bom, grande parte do meu salário eu invisto para o futuro. Um futuro próximo, mas não próximo daqui dois anos. Por isso não da pra ficar me dando ao luxo de gastar e esbanjar.
- Seu amigo pensa igual você?
- Opa! Acho que só você não gosta de como eu me vejo.
- É, acho que não estou conseguindo pintar a imagem na minha mente, você pode me ajudar?
- Bom, imagine dois indivíduos com cara de cansado. Eles estão sentados no sofá, assistindo Simpsons, enquanto tomam cerveja e dão risada de como foi o dia...
- Hum... interessante!
- Um está sentado com o paletó aberto e um pacote de batatinhas no colo. O outro sem a mínima noção de moda ou estilo está de calça jeans, camisa e moleton e fica constantemente se movimentando pra pegar um pouco de batata pra degustar com a cerveja.
- O apartamento que vocês estão é grande?
- Não... Não... Tem dois quartos, que não cabe armário direito, então as coisas ficam em caixotes, tem um banheiro quentinho e uma cozinha singela. Ahhh... Tem também uma área de lavar roupa com um tanque que só é usado pela faxineira que vai lá duas vezes por semana.
- Mas que merda, hein? E você gosta dessa sua previsão?
- Caralho, hein dona Consciência... Eu já não falei que eles estão sentados no sofá tomando cerveja e dando risada?
- E como você se vê daqui dez anos?
- Sei lá, até lá eu vou ter dinheiro o suficiente pra não precisar prestar contas pra você...

domingo, 22 de julho de 2007

Vácuo telefônico

O som não se propaga no vácuo e em sua cabeça a mesma coisa acontece com o tempo.
A ausência de idéias, pensamentos e afazeres fazem com que o tempo se arraste, brigando com alguma força imaginária para conseguir mover os ponteiros por alguns míseros segundos. O pensamento na outra pessoa faz de sua rotina um turbilhão incontrolável que você já não sabe mais como agir.
As amigas dela dizem A, seus amigos retrucam B, ela insiste no C e um abecedário inteiro se forma, enchendo de maneira vazia o espaço ocioso de sua mente.
De qualquer maneira, não há remédio melhor do que o som da voz tão aguardada do outro lado da linha.
Em um texto de Letícia Junqueira, chamado “A tortura telefônica”, a autora narra de maneira espetacular as mazelas enfrentadas por uma garota que espera a ligação de sua atual paixão. Sendo homem ou mulher, é impossível não se identificar com a inquietação sofrida com o silêncio do aparelho telefônico.
Cada minuto de silêncio parece um grito ensurdecedor que rasga o conforto de um domingo a tarde, fazendo com que você se questione onde está a parte boa de ficar apaixonado.
Tudo é tão mais fácil quando estamos em uma posição de indiferença, quando outros aguardam nossa ligação, quando você evita o aparelho telefônico e a recíproca não é verdadeira.
O som não se propaga no vácuo, e muito menos nas linhas telefônicas daqueles que esperam uma simples ligação...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Xi, gamou!

O fim de uma leitura sempre causa inquietação. Inquietação e “casinhos” são o principal combustível daquele que vos escreve, como já sabem os leitores assíduos deste blog.
A velocidade que as coisas acontecem flui tão rapidamente quanto o fluxo de idéias para os dedos no teclado. Vocês a conhece, bacana! Vocês se conhecem, fabuloso! Vocês se separam, normal...
Normal? Por quanto tempo?
Quando você se preocupa se vai demorar para vê de novo a situação já tomou proporções avassaladoras. Ih, ferrou... Xi, gamou!
Uma citação de um livro te chama a atenção:
“Alegria, tristeza, raiva, medo e amor são nossas cores emocionais básicas. Se misturarmos, teremos outras emoções mais complexas. Se misturarmos amor e tristeza, teremos saudade; amor e raiva, mágoa; amor e medo, ciúme. O ciúme é uma emoção tão complexa, que nela se misturam às vezes amor, medo, tristeza e raiva”
Ok, mas espera um pouco, amor é uma palavra pesada! Se nem Camões conseguiu defini-lo, quem sou eu para cita-lo?
Ao trocar amor por paixão você cria uma retrospectiva dos últimos dias desde que a conheceu. Você sentiu saudade? Sim! Mas nunca pensou que era a união da tristeza com paixão... Imaginou apenas que era a ausência da alegria causada pela presença da paixão. Não a paixão substantivo abstrato, o adjetivo pelo que você chama a pessoa em questão.
Mágoa? Talvez! Nada melhor que um site relacionamentos para você ver que o outro tem aproveitado sua ausência tanto quanto você a dela.
Ciúme? Essa palavrinha do inferno é tão complicado de se falar quanto o próprio amor, o bom é que o autor já define sua complexidade, o que possibilita que você pule para outro tópico.
O mais engraçado de tudo é como o tempo e espaço tornam-se relativos quando se está em tal palheta emocional.
Por mais distante que vocês estejam, é o rosto dela que você vai ver de relance quando virar rápido no meio da multidão. Por mais que o dia continue tendo 24 horas, os períodos em que suas mensagens deixam a caixa de saída e as dela não adentram à caixa de entrada são os minutos mais lentos do dia.
Já mostravam aqueles filmes de sessão da tarde, Einstein com certeza estava apaixonado quando criou a teoria da relatividade. Se sua paixão era a ciência ou A paixão é relativo, mas relativamente falando, o que não é?
Você tenta colocar na sua cabeça que seu lado racional é mais forte que o emocional, mas então por que você está escrevendo esse texto? Xi... gamou!